Activistas reiteram que há violação dos Direitos Humanos na Lunda-Norte

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Na nova roupagem que João Lourenço quer imprimir, há governantes que querem mostrar o que valem, na verdade, para que sejam tidos e bem achados. Para começar a corrida, o governador da província da Lunda Norte veio à terreiro dizer que na província da Lunda Norte não existem casos de violação dos direitos humanos, situação refutada pelos Lundas

Diniz Kapapelo

Ernesto Muangala, governador provincial da Lunda Norte, desafiou a sociedade a apresentar provas de que, na verdade, existem casos de violação dos direitos humanos. Ele não acredita nos relatos que têm sido apresentados por algumas organizações não governamentais sobre torturas, perseguições e assassinatos de populares.
Para ilustrar, Muangala apresenta como prova de ‘mãos limpas de sangue’, o facto da província da Lunda Norte ter acolhido milhares da refugiados da República Democrática do Congo e de ter propiciado condições de acomodação.
Algumas organizações não governamentais e partidos políticos da oposição pretendem apresentar provas de casos de violação “flagrante” dos direitos humanos nas regiões diamantíferas, perpectradas principalmente pelas empresas de segurança privadas, afectas à figuras proeminentes militares.
Para o Secretário para os Direitos Humanos da UNITA, Joaquim Nafoya, o governador foi infeliz, na medida em que “há mesmo violação dos direitos humanos naquela província, baseando-se em dados recolhidos localmente”.
Começou por indicar, por exemplo, a falta de medicamentos em quase todos os hospitais da Lunda Norte, o que fez aumentar o índice de mortalidade. “Há que se tomar medidas para travar esse índice de mortalidade”, alertou.
A segunda causa de mortalidade, segundo o responsável, são os assassinatos indiscriminados que ocorrem principalmente nas zonas diamantíferas, “se atendermos que as empresas de segurança que guarnecem as empresas de exploração nos municípios do Cuango, Lukapa, Kapenda Kamulemba e no N’zage”, realçou o activista.
“Temos provas credíveis mas como o governador da Lunda Norte desafiou que quem tem prova, apresente-as, nós, UNITA, estamos a preparar um relatório anual com todas evidências dos assassinatos que estas empresas estão a levar a cabo de 1 de Janeiro até ao preciso momento.
O responsável não tem dúvidas que as informações que dispõe são suficientes para contrapor o governador Ernesto Muangala.
Considera por outro lado, triste um governador aparecer com uma “linguagem musculada, quando devia enveredar por uma postura com o objectivo de desencorajar aqueles que praticam este acto”.
Lembra que no mês de Julho, um militante da UNITA “foi barbaramente assassinado por colaboradores do governador Ernesto Muangala”. Como se não bastasse, acrescenta o deputado, “no mês de Julho fui atacado por um grupo que ele próprio organizou e mandou”, denunciou.
“Quando ele aparece como defensor dos direitos humanos, numa altura em que ele se torna cada vez mais carrasco da população que diz governar, manda prender, torturar e abater, como fizeram com o militante da UNITA, Adelino Paulo Kassoma, que num gesto de atirar areia nas vistas das pessoas, tiveram de fabricar outra figura para ser apresentada à imprensa como se do malogrado se tratasse, demonstra que ele é um algoz de primeira”, sublinha.
O Ngolajornal soube, de fonte segura, que algumas organizações da sociedade civil pretendem, igualmente, apresentar provas de que nas Lundas há mesmo violação dos direitos humanos.

 

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