Apesar de dar o benefício da dúvida: Samakuva “topa” mensagem de JLO

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No âmbito das prerrogativas que o estado de direito democrático lhe confere, Isaías Samakuva achou necessário trazer à público o seu ponto de vista sobre alguns aspectos que caracterizam a situação do país, incidindo os aspectos que achou importantes ou que não ficaram claros no discurso do Presidente João Lourenço sobre o estado da nação

 

 Diniz Kapapelo

Naquilo que considera réplica à mensagem sobre o estado da Nação proferida pelo Presidente da República, na abertura da cerimónia de abertura da quarta legislatura, o líder da UNITA considera que João Lourenço deu ao país alguns sinais de que pretende, de facto corrigir o que está mal, ao reconhecer que há milhares de angolanos a viver abaixo da linha da pobreza, que a situação financeira do país é crítica e que tem de haver mudanças. “Até ai, estamos de acordo”, asseverou.
Acrescenta que depois de 38 anos, o país tem um novo Presidente da República cujo discurso leva a criar novas expectativas e, por isso, dá-lhe algum benefício da dúvida e justifica afirmando que não disse como vai alargar a sua autoridade limitada pelos estatutos do seu partido nem como vai poder fazê-lo com uma constituição atípica, “feita para satisfazer os anseios do presidente anterior”.
Se a ideia é corrigir o está mal e melhorar o que está bem, Samakuva advoga a ideia de se corrigir o que está mal, com toda transparência e verdade. Para ele, os angolanos querem corrigir o que está mal. “O presidente chegou a ser específico e incisivo; prometendo combater a concorrência desleal que encarece o preço do cimento, os monopólios e a corrupção”, referiu, sublinhando que este combate deve ser de todos.
“Para sermos bem sucedidos é preciso atacar a raiz dos problemas, o que implica reconhecer quem causou e alimenta a concorrência desleal no mercado do cimento”, frisou.
O presidente da UNITA alega haver um carácter segregacionista do Estado e da economia, em que quem sofre é o cidadão que antes vivia nas áreas do interior que não estava sob administração do Estado.
Mesmo dando benefício da dúvida às promessas feitas pelo Presidente da República, o político acredita piamente que a raiz do problema dos monopólios, da segregação económica, dos roubos ao Estado, das disfunções do Estado e da corrupção é a partidarização do Estado. “De facto, não se pode combater os monopólios, os roubos, a hegemonia e a corrupção sem a efectiva despartidarização do Estado”, ressaltou.
Ele disse constatar que o Estado e a economia estão reféns de uma família e um partido político. “É que nenhuma instituição do Estado está livre da tutela aberta ou velada do partido MPLA”, salientou, para depois denunciar que não há, de facto uma economia de mercado porque “o partido-Estado impõe regras que impedem o funcionamento normal dos mercados. A presença do Estado na economia e de figuras com ligação ao partido-Estado é muito condicionante”, refere. Isaías Samakuva recuou para história dizendo que a consolidação da transição para a democracia não aconteceu, já que com a aprovação da Constituição da República da democracia regrediu e “o Estado foi capturado por um grupo económico”.  

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