Bispos católicos exigem transparência à CNE

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O Conselho Permanente Alargado da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) chamou a imprensa na tarde desta quarta-feira, 30, para apresentar a sua nota pastoral sobre as eleições gerais que decorreram em Angola a 23 de Agosto

Diniz Kapapelo

Numa conferência de imprensa realizada a propósito e presidida pelo seu presidente Dom Filomeno Vieira Dias, ladeado por Dom Dionísio Hisiilenapo e Dom Manuel Imbamba, bispos das Dioceses do Namibe e de Saurimo, respectivamente, este último, porta-voz da CEAST, os bispos disseram que saúdam efusivamente todo o povo angolano que a 23 de Agosto respondeu com alegria, nobreza, civismo e dignidade à convocatória eleitoral e “exigem” à CNE a máxima transparência e nos termos da lei tudo quanto dos eleitores exprimiram nas urnas.
“Mostramos que somos um povo que pugna pelo convívio social multicultural, fomentador da unidade na diversidade, da reconciliação efectiva, do desenvolvimento autentico e da paz que parte do coração”, disse Dom Manuel Imbamba, porta-voz da CEAST na sua alocução aos jornalistas presentes no acto que teve lugar no anfiteatro da conferência episcopal ao São Paulo, manifestando o reconhecimento, estima e admiração dos bispos católicos de Angola e São Tomé para com o povo angolano.
Segundo disse, cabe, agora, aos políticos dos partidos e coligação concorrentes dar corpo e sentido ao convívio de vontades expresso nas urnas, aceitando com serenidade e responsabilidade o veredicto final, “apostando no dialogo sincero, fecundo e construtivo”, utilizando os instrumentos legais para dissipar “possíveis equívocos” e buscando, acima de tudo, “o bem da Nação assente na justiça, na paz e na verdade”.

 

Um apelo à CNE
Para os bispos católicos, nesta fase do processo em que os ânimos dos angolanos parecem exaltados, face a divulgação provisória dos resultados, o olhar de todos os angolanos e dos amigos de Angola está virado para a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) a quem cabe o peso da responsabilidade de gerir e publicar, com a máxima transparência e nos termos da lei, tudo quanto os eleitores exprimiram nas urnas.
“É preciso que tudo se faça sem margens para dúvidas, munindo-se unicamente com as armas da verdade, justiça, transparência e do diálogo inclusivo entre as partes em jogo”, realçaram os bispos, sublinhando que o povo fez a sua parte e, fê-la bem, o mesmo auguram da CNE.
Enquanto a Conferência Episcopal, de modo particular e os angolanos de uma forma geral aguardam pela publicação dos resultados definitivos, acrescentou o bispo de Saurimo, reiteram o apelo aos que fizeram na última Mensagem sobre as Eleições, para que os futuros governantes que saírem da vontade expressa nas urnas, “a quem felicitamos de antemão”, trabalhem pelo bem de todos os angolanos, independentemente das suas cores partidárias, “colocando o acento tónico, não na militância partidária, mas na cidadania e no patriotismo”.

Oposição chamada a ser mais forte
Enquanto alguns partidos na oposição ‘choram’ já pelo leite derramado apontando para uma suposta fraude em função dos resultados menos bons saídos dos resultados provisórios, os bispos católicos pedem a estes para serem mais fortes e obriguem quem governa a dar melhor de si em prol do bem de todos.
“Deste modo, tanto quem receber o mandato de governar como quem está na oposição desempenha uma função nobre e necessária ao bem do país, devendo servi-lo através de uma atitude de diálogo construtivo, o mais consensual possível, particularmente sensível e atento às necessidades dos mais vulneráveis da sociedade”, sublinharam os bispos.

Comunicação social pública em xeque-mate
Tal como ficou patente nas reclamações de alguns partidos políticos e da coligação concorrentes devido a promiscuidade dos órgãos de comunicação social públicos que, na sua visão, favoreceram claramente uma força política, os bispos da CEAST foram unânimes em corroborar com essa informação.
Na voz do seu presidente, Dom Filomeno Viera Dias, o colégio de bispos também notou esta situação e lamentou que tenha sido assim, numa altura que segundo a lei eleitoral, todos os partidos políticos e a coligação concorrente deveriam beneficiar do mesmo tratamento.
“E todos sabemos quais foram os órgãos que assim procederam”, notou, sem, no entanto, denunciar quais foram. Por este facto, fizeram um apelo veemente aos órgãos de comunicação social e aos utentes das redes sociais no sentido de não transformarem estes instrumentos de promoção do bem, da integração, da paz, do diálogo e do convívio em instrumentos de instigação e propagação do terror, do medo, da insegurança, da desordem, da divisão e da difamação gratuita”, concluíram.

 

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