Cidadãos protestam contra descriminação e racismo em Luanda

Nacional Off 40

Num acto de coragem, marcado pela conjuntura de um ano de governação de João Lourenço e a sua eleição à presidência do partido, os jovens lançavam gritos de força contra todas as práticas discriminatórias

Fernando Guelengue

Jovens marcharam neste domingo, 9, do Baleizão até a entrada do restaurante Café Del Mar, na Ilha de Luanda, para desencorajar a prática de discriminação e racismo nos estabelecimentos comerciais em Angola.

A marcha foi convocada nas redes sociais depois do jornalista e activista cívico Simão Hossi Sonjamba ter denunciado os maus-tratos sofridos no referido estabelecimento comercial, no dia 26 de Agosto último.

Segundo a vitima, que já apresentou uma queixa-crime contra o restaurante, o que resta é o trabalho dos Serviços de Investigação Criminal, para fazer o seu trabalho.

Eliana é uma cidadã e trabalhadora que teve contacto inicial com a publicação do Hossi e decidiu prestar apoio por estar comovida com a situação e coragem do mesmo. “Fiquei ainda mais revoltada quando li o post do restaurante. Quando vi o relato do Hossi dei o benefício da dúvida porque estava a ouvir apenas de um lado. No dia em que o restaurante fez o post, eu li e fiquei horrorizada, chocada e depois de ouvir os dois lados, decidi ser contra o racismo e apoio o Hossi até as últimas consequências”, contou durante a nossa reportagem.

Quem não escondeu a sua preocuoação foi a activista Ionene Ufolo que marchou com um cartaz com a seguinte frase: “Se não consegue amar, pelo menos respeite.”

Segundo a manifestante, nenhum ser humano deve sofrer pelas práticas de racismo e outras discriminações, independentemente do local onde esta pessoa possa estar.

“Hoje foi o mano Hossi, amanhã poderá vir a ser uma outra pessoa da minha família ou não, por isso, o Café Del Mar deve rever as suas páticas e não descriminar as pessoas pelas suas vestimentas. Se há algum regulamento próprio para que as pessoas possam ter acesso ao seu espeço, que colem a porta para que as pessoas saibam que não estão em condições de me dirigir àquele estabelecimento.”, sustentou a jovem, acrescentando que não devem pegar em alguém que já se encontra dentro do estabelecimento e, por meio da força, colocá-lo fora porque tudo pode ser ultrapassado pela conversa.

ORGANIZAÇÃO
Benedito Jeremias, “Dito Dalí”, um dos organizadores da marcha que esteve no local no dia sucedido no dia 26, fez saber que estavam no local para consumir alguma coisa para desanuviar a mente.
“O que não esperávamos é que o restaurante teve uma atitude muito negativa, pega o Hossi e escorraça fora do mesmo, alegando que ele não estava bem vestido”, revelou, adiantando que a presença defronte ao Café Del Mar visa demostrar o descontentamento em função ao estabelecimento.

Por outro lado, o activista Mbanza Hamza, não deixou de tecer as suas declarações, ao afirmar que está a mostrar às rádios e televisões que manter esta moldura humana no local é uma demonstração de que o racismo existe e é um problema real.

“O racismo existe, é forte e actuante. Mas todos fingem. As pessoas têm medo de apontar o racismo como causa de muito problemas aqui no nosso país, senão todos. Até o que nós chamamos de má governação, na verdade é mesmo racismo. Porque os nossos governos em África, herdaram poder político, social e de arranjo, toda a administração pública até o poder colonial e esta por sua vez, baseava-se na separação e segregação entre ricos, mestiços, brancos etc.
Na quarta-feira, 5, alguns activistas realizaram uma manifestação espontânea no local.

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