Comandante Panda: “Fenómeno gasosa é (sim) corrupção”

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Ainda sem “sal” na gososa, o fenómeno “gasosa” faz morada na sociedade angolana, o que preocupa o actual Comandante-geral da Polícia Nacional, comissário-geral Alfredo Mingas “Panda”, que já prometeu um combate severo a este mal

 Diniz Kapapelo

Olhando para o passado, esta medida contraria, de certa forma, o ex-presidente da República que disse publicamente que “ninguém vive do seu salário” e o Presidente da Assembleia Nacional que, há anos, classificou a “gasosa” como sendo “um entendimento entre o polícia e o cidadão”.

O Comandante Panda manda um “primeira forma” e risca tudo aquilo que aquelas altas figuras impingiram ao martirizado povo de Angola, e considera que a falta de honestidade corporizada no “vergonhoso fenómeno da gasosa”, constitui um dos maiores problemas no seio de alguns efectivos da Polícia Nacional, que deve ser combatido de forma severa.

Na era dos aplausos, em que o país se encontra o responsável que falava no Instituto Superior das Ciências Policiais e Criminais, deixou bons sinais de que o slogan de se corrigir o que está mal também foi muito bem digerido.

Na era de João Lourenço, como Chefe de Estado, alguns discursos moldaram-se à lógica daquilo que é a pretensão do Comandante-em-Chefe. O Comandante Geral da Polícia Nacional, que já foi Comandante da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), onde deixou sérios avisos no que o combate ao crime diz respeito, considera inadmissível e intolerável que alguns polícias continuem a manchar a imagem da corporação em troca de cartões de saldo, e alertou  que “quem acha que não pode sobreviver com o seu salário e usa ilicitamente a farda da Polícia para satisfazer as suas necessidades, extorquindo os cidadãos, deve pedir desvinculação da corporação”.

Sublinhou que o agente da Polícia Nacional deve constituir-se num exemplo para toda a sociedade, acrescentando que a actividade policial é nobre e destinada apenas a homens e mulheres especiais, com elevada estatura ética e profissional. Nesta conexão manifestou-se determinado a combater a corrupção, o nepotismo e a imigração ilegal.

 

Corrupção na corporação?

De quase todas as instituições do Estado chegam informações de que a ascensão aos altos cargos depende, não raras vezes do compadrio. E aí, logicamente, a “gasosa” também “penetra”, prejudicando aqueles que dependem apenas da sua capacidade, empenho e até honestidade.

Na Polícia Nacional, também há esses relatos. Embora não tenha se referido concretamente na existência de casos de corrupção na corporação, Panda reconheceu a existência de efectivos que estão há muitos anos a ostentar a mesma patente, em detrimento de outros polícias com menos tempo de serviço e que foram promovidos sem que se entenda os critérios adoptados.

Este facto levou-lhe a defender a definição urgente de uma nova política de gestão de recursos humanos na corporação, que defina com clareza os critérios para a progressão na carreira e acabe com a “anarquia no patenteamento dos  efectivos”.

 

Policiamento de proximidade e o medo

O Comissário-geral da Polícia Nacional, no seu discurso de apresentação aos efectivos do Instituto Superior das Ciências Policiais e Criminais, defendeu igualmente a criação de uma direcção para garantir a coordenação operacional e metodológica entre as unidades e as direcções do Comando Geral da Polícia Nacional, bem como a implementação do policiamento de proximidade (patrulhas apeadas no interior dos bairros).

Em seu entender a corporação precisa de efectivos competentes, profissionais, honestos, capazes de auxiliar os cidadãos na esquadra, rua, em casa, no quadro da manutenção da ordem e tranquilidade públicas.

No entanto, há alguns anos, este Jornal trouxe à luz algumas inquietações manifestadas por alguns efectivos não puseram em causa questões ligadas à sua formação, mas que se opuseram à falta de equipamento para que o policiamento de proximidade seja feito de forma eficaz.

“Para além de meios rolantes, nós precisamos de outro equipamento técnico complementar, como é o caso de coletes de protecção, dada a complexidade e a tipicidade dos crimes que ocorrem no nosso país, porque está em causa a nossa integridade física”, apontaram.

Pior que isso, acrescentam, é que quando se morre, alguns são promovidos a título póstumo. “Juramos defender a pátria e, se for necessário, sacrificar a própria vida, mas isso não deve fazer com que nos exponhamos aos riscos”, referiram, apontando uma falta de vontade por parte das autoridades, já que algumas empresas de segurança privadas têm melhor equipamento em relação à Polícia Nacional.

Apesar de conhecerem que os cidadãos devem ter maior cooperação na denúncia dos  crimes e criminosos e que mantenham uma verdadeira parceria com os agentes da ordem, afirmam que o policiamento de proximidade exige um pouco mais de formação.

Os efectivos responsáveis pela segurança e policiamento de proximidade, devem estar presentes em cada sector da área de responsabilidade das subunidades e, de acordo com o diagnóstico de segurança efectuado em cada comando devem velar pela prevenção e vigilância em áreas comerciais, vigilância em áreas residenciais maioritariamente sem iluminação pública, prevenção da violência doméstica, apoio às vítimas de crime e acompanhamento pós-vitimação, identificação de problemas que possam interferir na situação de segurança dos cidadãos e pela detecção de cifras negras.

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