Como combater o Preconceito (I)

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Para combater o preconceito, é necessário entender a razão da sua existência, sendo certo que sem este entendimento, ou seja, se não tivermos em atenção as causas do preconceito e o motivo de alguém ser preconceituoso, não importa o que fizermos – debates, artigos, conferências, etecetera – será fadado a um sucesso parcial ou a um insucesso histórico. Portanto, os comportamentos humanos não ocorrem sem uma lógica social, mesmo que deturpada. Pelo que, entender alguns motivos que os alimentam ajudam na eficácia do combate a qualquer postura preconceituosa

Por: Adão Ramos

Depois de um interregno de alguns meses desde a publicação neste mesmo Jornal Digital, o Ngola Jornal, do último da série de artigos que vinha escrevendo, no quadro do meu activismo pela Inclusão, por ter faltado tempo, já que a minha vida profissional e escolar se tornou mais exigente, com as mudanças geográfica e de horário retomo, agora já adaptado à nova realidade, na esperança de poder ter a “garra” física e mental/intelectual necessária para continuar pelo ano todo.

Para reinício de escrita, pretendia trazer à leitura pública uma reflexão entorno da celebração do 3 de Dezembro último, dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que teve como lema, “Alcançando 17 metas para o futuro que queremos chamando atenção para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e como estes objetivos podem criar um mundo mais inclusivo e equitativo para as pessoas com limitação mas rapidamente adiei para a próxima e optei pelo tema em epígrafe, que a TV Zimbo trouxe a debate no já Consagrado Programa “Debate Livre” realizado aos 27.09.2016, onde participei na condição de convidado; justifica a opção, a pertinência da abordagem e o facto de não ter feito qualquer comentário público extra debate até hoje. Felicito a TV Zimbo e o seu Director, Francisco Mendes, pela iniciativa, quase pioneira e muito bem sucedida, que nunca tinha visto acontecer noutros órgãos…

No geral, concordamos, todos os convidados, a Paula Simons, o Celso Malavoloneque, a Cecília Quitombe e eu, que o preconceito e os preconceituosos não são novidades na história da humanidade; sempre conviveram connosco, manifestando-se, ou manifestando o seu juízo apressado de forma explícita ou sorrateira. E numa sociedade adoentada como está a nossa, não surpreende a ninguém, que alguns preconceituosos ocupem posições de destaque, podendo excluir o diferente.

O questionamento se o preconceito teria causa cultural, ambiental ou institucional, não ocupou tanto o nosso tempo de antena, porquanto, penso, o mais importante pareceu-nos ser responder à reflexão: “Como poderemos combater o preconceito”?

Refletimos sobre várias formas de preconceito, sendo, racial, sexual, físico, cultural e político.

O que ficou por dizer, da minha parte, pois não tinha todo tempo, foi que:

  1. Para combater o preconceito, é necessário entender a razão da sua existência, sendo certo que sem este entendimento, ou seja, se não tivermos em atenção as causas do preconceito e o motivo de alguém ser preconceituoso, não importa o que fizermos debates, artigos, conferências, etecetera será fadado a um sucesso parcial ou a um insucesso histórico. Portanto, os comportamentos humanos não ocorrem sem uma lógica social, mesmo que deturpada. Pelo que, entender alguns motivos que os alimentam ajudam na eficácia do combate a qualquer postura preconceituosa.

Quando me preparava para o “Debate Livre” li que Voltaire qualificou: “os preconceitos são a razão dos imbecis”; ao que tudo indica ele não se referia àqueles com deficits intelectuais, mas sim àqueles que são diferenciados culturalmente, para mostrar esta triste faceta humana, a de como alguém culturalmente diferenciado pode ser preconceituoso e capaz de excluir o diferente.

  1. Atendendo que o preconceito nasce nos grupos e se manifesta nas atitudes individuais, o combate requer que as acções de mudança e de esclarecimento visem a coletividade, com um trabalho educativo, elucidativo capaz de modificar as paixões subjacentes ao preconceito, sem o qual ele crescerá cada vez mais. O processo de informação educativa não deve ser elitizado, ou seja, os debates, as palestras/conferências, entrevistas, etc., devem ter presentes, sobretudo, aqueles que sofrem com o preconceito. Se tais acções forem realizadas somente com “opinion makers”, ditos experts, famoso(a)s, ou gente que se pareça com esses, os objetivos podem não ser atingidos, por mais que elas também possam ser vítimas do preconceito… até à parte II
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