Desafios da inclusão das pessoas com deficência – da visão médica à visão Social (I)

Destaque, Opinião 2 55

Ao não valorizar a diferença, atribuímos rótulos que muitas vezes inferiorizam pessoas, destacando apenas um de seus atributos e, regra geral, de forma negativa, reduzindo-as a deficiente, aleijado, etc. Deste modo, a exclusão é imposta por uma sociedade supostamente feita para pessoas ditas “normais”

Por: Adão Ramos

É comum ouvir-se ou ler-se, que a inclusão é um processo, sobretudo quando surgem dúvidas, quanto a se haverá avanços ou somar-se-ão mais retrocessos, apesar do nosso árduo combate contra a exclusão.

E o que pode significar dizer, que a inclusão é um processo?

Significa dizer, que a inclusão não é linear, é inconstante, podendo esbarrar em dificuldades, à medida que avança, e conhecer retrocessos, até encontrar outros caminhos, em função das circunstâncias de cada momento. Portanto, a inclusão é dinâmica, sempre temos algo a aprender, há sempre mais uma fronteira por transpor.

Segundo Izabel Maior e Benilton Bezerra Jr, a “diversidade é intrínseca ao ser humano. A despeito desse fato, o que a história nos revela é que o convívio entre diferentes sempre foi difícil, seja na Antiguidade ou no mundo contemporâneo. Temos dificuldade em atribuir valor às diferenças, ainda que nosso mundo seja cada vez mais compartilhado. É difícil para nós acharmos bonito o que não é espelho”.
Ao não valorizar a diferença, atribuímos rótulos que muitas vezes inferiorizam pessoas, destacando apenas um de seus atributos e, regra geral, de forma negativa, reduzindo-as a deficiente, aleijado, etc. Deste modo, a exclusão é imposta por uma sociedade supostamente feita para pessoas ditas “normais”.
Visão médica
O olhar médico, que predominou no século XX, tinha em conta apenas a “lesão”, a que chamavam deficiência, resultando em que, a pessoa com deficiência fosse reduzida à condição de paciente ou doente.
Esta é uma visão, que ao longo dos anos, remeteu as pessoas com deficiência à condição de vítimas, alvos de infortúnio ou azar. Tendo levado a que muitos fossem rejeitados pelas suas próprias famílias, ou noutras, em que, por via do casamento, quiseram fazer parte.
Porém, esse é um paradigma ao qual as pessoas com deficiência tiveram de se opor e contra qual nos batemos até hoje, exactamente porque ele é reflexo da confusão feita entre a lesão (situação objetiva) e a condição de ´deficiência´, isto é, o modo como a lesão influi na performance das pessoas na sociedade, que é uma experiência subjetiva.
Essa performance depende da interação entre as condições oferecidas pela sociedade (entenda-se acessibilidade) e as de funcionalidade da pessoa e de suas particularidades. A ´deficiência ´é, portanto, relacional: ela não é biológica, mas o resultado da interação entre o indivíduo e sociedade.
O modelo social da deficiência introduziu os conceitos de autonomia e vida independente, que emergiram com ênfase como bandeiras de luta.
Visão social da ´deficiência´ … No próximo artigo

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2 Comentários

  1. Adão Ramos 9 de Outubro de 2018 at 17:40 - 

    Obrigado, Sr. João Pessoa. Certamente esta é a nossa luta e persistiremos intransigentemente.

  2. João Pessoa 9 de Outubro de 2018 at 00:57 - 

    Muito interessante.
    Deve ser divulgado para conhecimento da população, dos enormes problemas que as pessoas com deficiência sofrem nesta sociedade.
    Parabéns, Adão Ramos!

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