Desafios da inclusão das pessoas com deficiência – da visão médica à visão Social (II)

Nacional, Opinião 0 36

É fácil entender a força e a sedução exercidas por essas ideias: após séculos sem direito de expressar desejos, emoções e opiniões, dependendo da caridade e da boa vontade da igreja, da família ou de pessoas “de bom coração”, era chegado o momento das pessoas com deficiência soltarem o grito preso na garganta. De decidir o que fazer da própria vida – e como fazer.
Por: Adão Ramos
Email: ado.ramos7@gmail.com

Segundo a análise de Izabel e Benilton: os valores da colaboração, da solidariedade, da interdependência e da complementaridade se fazem mais presentes, juntamente com o conceito de apoio. Afinal, todos precisamos de suporte, desde o nascimento até a velhice. “Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo”, como bem sabia John Donne.
Hoje por hoje, os desafios são: conjugar apoio e vontade própria; somar suporte e respeito à opinião, à capacidade de decisão e ao exercício de direitos e da cidadania. Esses são os próximos passos, as próximas fronteiras da inclusão, tornando as sociedades mais humanas e solidárias.

O tema da inclusão de pessoas com deficiência, em todos os espaços da sociedade angolana, ainda é muito incipiente. Daí que, temos nos batido pela alteração das visões distorcidas e pelos nossos direitos, liberdades e garantias, e toda a sociedade deve participar desse combate.
As sociedades sempre inabilitaram as pessoas com deficiência, marginalizando-as e privando-as de liberdade. Essas pessoas, tão valiosas, quanto necessárias, porém, sem acesso a serviços, sem direitos e respeito, foram alvo de atitudes preconceituosas e ações impiedosas, porquanto o comum, era prestar-se atenção às suas limitações e aparências, ao invés das valências e competências que tinham.
Nos últimos anos, algumas sociedades têm promovido e implementado políticas de inclusão das pessoas com deficiência, em todos os espaços, visando resgatar o respeito humano e a dignidade, no sentido de possibilitar o pleno desenvolvimento e o acesso a todos os recursos da sociedade por parte desse segmento. Os países europeus, o Brasil, a África do Sul e alguns outros são disso exemplo.
Em Angola assiste-se a um silêncio “ensurdecedor” das autoridades aos apelos das pessoas com deficiência, para a implementação de políticas públicas condicentes com a nova visão da inclusão, e até mesmo os meios sociais e a mídia quase não abordam sobre o tema, e quando tentam faze-lo, é de maneira reducionista, às vezes preconceituosa e sem apresentar os caminhos para a inclusão social.
A falta de conhecimento da sociedade, em geral, faz com que a ´deficiência´ seja vista como uma doença crônica, um fardo ou um problema. O estigma da deficiência é grave, transformando as pessoas cegas, surdas e com deficiências mentais ou físicas em seres incapazes, indefesos, sempre deixados para o segundo plano na ordem das coisas.
A luta a ser feita ainda é tremenda. Continua …

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