Economista Lago de Carvalho: “Precisamos de um outro MPLA”

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O especialista falou de vários assuntos que atrasam crescimento económico e desenvolvimento sociopolí­tico do país. Em declarações, recentemente,  à TV Zimbo, Lago de Carvalho defendeu que, apesar de não ver alternativas para governar, os angolanos sabem  que o MPLA vai ganhar mas que será necessário outro MPLA, disposto a colocar ordem nas coisas 

Fernando GuelengueLago de Carvalho, convidado a abordar as  perspetivas económicas e políticas do país, explicou que falou na necessidade de  falar de outro MPLA porque tem de ser aquele que não está preocupado se toda a gente veste a camisola vermelha, permitindo que as pessoas possam dar o melhor de si para o interesse do país.

Em relação aos descontentamentos dos partidos políticos que alegam falta de transparência no processo eleitoral, o empresário referiu: “Se u entendo que numa eleição nas mesas de voto há uma acta e lá estão representados os partidos que assinam, sabem quantos votos estavam para cada partido e podem enviar os resultados, frisou Lago de Carvalho, acrescentando que qualquer partido que seja capaz de coleccionar todas as actas de mesas de voto pode conta-las tranquilamente.

Para ele, os partidos têm de encontrar soluções  para ter os seus resultados em números, independentemente da informação que a Comissão Nacional Eleitoral pode vir a disponibilizar, dando exemplo do caso mais recente das eleições  francesas, na qual os votos foram contabilizados de forma tradicional, não deixando margens para qualquer dúvida.

Questionado sobre a maneira de mobilização que os partidos políticos devem utilizar para conquistar mais eleitores, Lago de Carvalho declarou que há um ní­vel de consciencialização das pessoas que vivem em zonas urbanas e rurais. Nalguns sítios, pode ser que uma mensagem do MPLA, cheia de promessas, passe. Noutro sí­tio já não passa porque as pessoas viram muitos anos em que as coisas não aconteceram e voltar a por as mesmas promessas não passam, esclareceu, sustentando que os partidos que levantarem também aspectos de que se não ganharem é porque houve fraude, também não vão convencer ninguém.

Considerou ligeiras as propostas de governo que a UNITA apresentou, mas também criticou a contratação de estrangeiros para a gestão de empresas públicas angolanas. “Não sei se tenho direito de dizer isso mas as empresas angolanas têm de ser geridas por angolanos e técnicos angolanos”, defendeu o mesmo que focou os casos da TAAG e Sonangol.

Em ralação ao ambiente de negócios, o economista alerta que a existência de uma máquina burocrática e administrativa no paí­s dificulta tudo e quase todos. “Você  não consegue fazer nada sem ter 20 carimbos e cada carimbo é mais  um mês. É muito difí­cil arranjar um terreno, a licença de construção, tratar o alvará e andamos aqui numa permanente procissão a tentar resolver os problemas”, fez saber, deixando claro que não estão a criar algo novo porque se assim fosse renunciaria a meio do caminho porque para além de ser difí­cil tratar documentos básicos, há coisas que não estão abertas ao público em geral, citando que não é qualquer pessoa que recebe autorização para construir um edifí­cio na baixa da cidade, um hotel na cidade, entrar no negócio de cimento ou até mesmo criar um banco.

Lago de Carvalho alertou que há muitos ramos de actividade em que não é possível entrar por existir um bloqueio. “Tí­nhamos de ter uma máquina do Estado que fosse pro-investidor, pro-investimento, pro-criação de emprego, que realmente visse num projecto a vantagem de o apoiar”, explicou.

Sempre que o Estado cria uma coisa nova para o empreendedor também nasce algo para cobrar dele e todos estes institutos que foram criados para dinamizar a vida do empreendedor na verdade não ajudam em nada. “Sei que é desagradável e um bocado incómodo falar assim mas é necessário que se acorde”, realçou.

Não há ordem para um pequeno núcleo 

O empresário mostrou-se também  preocupado com os elevados custos dos produtos, lamentando a actuação da fiscalização. “Os fiscais também não  fiscalizam nada. Se uma garrafa de champanhe é cara eu não me preocupo em nada com isso mas medicamentos preocupa-me, desabafou, sustentando que os preços dos produtos essenciais devem baixar mesmo.

A chamada “bolha imobiliária” também foi tema de conversa numa altura em que muitas casas estão vazias. “E ninguém está preocupado em saber quem está com o dinheiro dos bancos que financiaram as construções”, alertou.

Nos partidos não há espaço para pensar

O empresário que assumiu nutrir simpatia pelo partido no poder, reconheceu durante o Especial Zimbo que apesar de apoiar várias iniciativas que lhe são solicitadas pelo MPLA,  tem um pensamento independente. “O problema dos partidos polítcos é um bocado como os da religião, dos clubes e de outras organizações  porque você deve seguir aquela norma. Não há espaço  para pensar e eu não consigo ser assim já há algum tempo que o meu problema é esse”, rematou, acrescentando que o MPLA não está  aberto a sociedade para discutir os assuntos que preocupam o paí­s.

 

 

 

 

 

 

 

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