“Exigimos prestação de contas aos organismos e gestores públicos”, declara Carlos Rosado

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A formação contínua, a capacitação de jornalistas que escrevem matérias económicas e a comemoração dos 24 anos de associativismo da AJECO estivaram na base da organização do seminário que contou com um único facilitador e um representante do Ministério da Comunicação Social

Fernando Guelengue

O director do Semanário Expansão teceu estas considerações na quarta-feira, 15, durante o Seminário sobre “Jornalismo Económico como Instrumento de Transformação Social”, no Centro de Formação de Jornalistas, em Luanda.

Durante a sua prelecção no seminário organizado pela Associação dos Jornalistas Económicos (AJECO), o jornalista referiu que o jornalismo económico pode desempenhar um papel fundamental na bandeira que o presidente João Lourenço elegeu para a sua governação, que é o combate à corrupção.

“Este combate passa pela por uma maior transparência e prestação de contas. É exactamente isto que o jornalismo económico faz e pode desempenhar um papel fundamental, exigindo que os organismos e gestores públicos prestem contas”, frisou Carlos Rosado de Carvalho, acrescentando que o acesso às fontes de informação por parte dos órgãos públicos não é um problema exclusivo do jornalismo económico, mas é um dos mais afectados.

Segundo o prelector, para além da tradição e da autoridade, que dependem do padrão antigo e em que o patrão dita as regras de trabalho respectivamente, a solução do problema económico passa pelo mercado, no qual a base é a liberdade de iniciativa e o sistema de preços.

“A base de muitos problemas africanos está nos dois problemas iniciais, que são usar demasiado a tradição e a autoridade. O que a Constituição da República diz é a base para orientar qualquer profissional que trabalha no público ou no privado”, reforçou.

Durante a formação, Carlos do Rosado ensinou as técnicas de cálculos de percentagem, avaliação das curvas da procura e da oferta, bem como o custo de oportunidade que mercado oferece. “O jornalismo que exercemos no Expansão ainda não tem concorrente. Há muitas maneiras de fazer um trabalho de qualidade e passa também por dar seguimento às promessas dos gestores públicos e privados”, rematou o antigo editor de economia do jornal português Público.

Durante a abertura do evento, em representação do ministro da Comunicação Social João Melo, o Director Nacional para Comunicação Social Eduardo Magalhães defendeu a necessidade de se apostar nas fontes fidedignas para se encontrar uma informação com veracidade.
“É importante que o jornalismo económico não seja apenas no informativo. Devemos aprender a separar os factos das opiniões”, sustentou o responsável.
Por seu turno, o secretário-geral da AJECO, João Joaquim fez saber que para além de da necessidade de especialização por meio das formações, a organização percebeu que estamos com uma qualidade ainda não aceitável. “Existe um défice grande em relação ao conhecimento e podemos ver no memento em que o prelector deixou aqui um repto de que os jornalistas têm de ler mais e muito. Se o jornalista não ler, pode ser qualquer coisa menos jornalista”, frisou João Joaquim, acrescentando que foi um repto lançado de que os jornalistas devem abraçar a profissão de uma forma apaixonada para melhorar o relacionamento com o seu leitor, ouvinte ou telespectador.

RELATÓRIOS E ERA DIGITAL

Questionado sobre a qualidade dos relatórios apresentados pelos organismos públicos, Carlos Rosado de Carvalho disse que muitos dos relatórios são mal escritos. “Nós olhamos os relatórios e não conseguimos compreender o que vem lá por causa dos erros de português. Uma instituição pública que faz um relatório deve disponibilizá-lo sem erros básicos de português. E depois, quando são números, encontrámos falhas nas contas e nas colunas e muita confusão de bilhões com mil milhões, de trilhões e a culpa é mesmo, muitas vezes, do governo”, criticou.

Estamos todos aqui sem saber, porque não temos nenhuma orientação, quando é que usamos o K. Mas o Cuanza Sul já é com C e o rio Kwanza já é com K. A moeda é com K. é muita confusão que espero que haja alguém que ponha ordem no circulo.

Em relação a falta de actualização das instituições públicas relacionadas as tecnologias, o palestrante contou que para fazerem uma pergunta a um organismo ministerial é necessário escrever uma carta com papel timbrado. “Nós já não estamos na época das cartas. Já não me lembro de ter escrito uma carta. As únicas que eu escrevo são para os Ministérios e para outros serviços públicos para solicitar entrevistas e outras informações adicionais. Isso já não existe! Nós vivemos na era digital em que quase tudo é feito por e-mail”, alertou Carlos Rosado.

Sobre a governação electrónica que muito se fala, o jornalista disse que temos a mania de falar muito e fazer pouco. “Muitas das informações que solicitamos aos Ministérios, se fossem publicadas nos seus respectivos sites institucionais já não seria necessário chateá-los. Iríamos aos sites e usaríamos as informações”, explicou, finalizando que são sites que gastaram milhões e que não são actualizados.

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