Fernando Heitor “virou o casaco” e “subiu” ao BPC

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Há figuras proeminentes em Angola que enfrentam dificuldades na luta para ascensão de cargos públicos, independentemente de ser ou não da laia de quem dirige os destinos do país. Mas, rigorosamente, não é o caso de Fernando Heitor, que, até há cinco meses, era uma figura de proa da UNITA e, numa reviravolta, trocou a crítica pela vênia e passou para o lado dos “camaradas”. Estes, em gesto de gratidão, lançaram-no ao cargo de Administrador Executivo do Banco de Poupança e Crédito (BPC)

Olímpio Carlos

Não é a primeira vez que um dirigente da UNITA se transfere para o MPLA, e “melhora” a sua vida financeira, profissional e outras vidas mas é a primeira vez, sublinhe-se, que um dirigente, por sinal, muito bem conhecido e referenciado nas lides da economia angolana (um dos factores), se projecta em flecha deixando bem para trás os seus há bem pouco tempo bons adversários.

Diga-se, Fernando Heitor é, de facto, um caso a ter em conta. Soube usar, ao longo dos 40 anos que andou na UNITA, a sua inteligência e esperteza (que lhe é característica), e as suas influências para ser o homem que é, no lugar onde está e no cargo que ocupa.

Sob o lema: “A minha consciência é que dita a minha conduta balizando-me nos princípios anteriores”, o economista e consultor internacional, Fernando Heitor, é o novo Administrador Executivo do Banco de Poupança e Crédito, onde, para já, “não espera fazer milagres”, mas vai dar ‘todo seu litro’. 

Sublinhe-se que na sua “caminhada” em direção ao BPC, o também político teve uma mão bem visível da nossa imprensa que, depois de pôr de parte o partido dos “maninhos”, começou a ser impingido na posição de analista/comentarista durante toda a campanha eleitoral onde, não poucas vezes, atirava muitas pedras ao seu partido. Em tão pouco tempo, embora não fosse do agrado dos seus anteriores correligionários, ultrapassou pela esquerda algumas figuras do MPLA, no que os aplausos à campanha de João Lourenço dizem respeito.

A UNITA bestial virou besta

Em pouco menos de um ano depois de jurar lealdade ao partido, a UNITA, e ter confessado que muitas vezes estava a ser alvo de assédio do MPLA, mas que nunca teve intenção de aceitar tal aliciamento, ele confirmou a aceitação do aliciamento ao dizer que estava disponível para integrar um governo.

Para quem nunca imaginou, saiba como uma rendição de luxo é feita: Como primeiro passo, durante uma entrevista, Fernando Heitor contestou a indicação de Raúl Danda como vice-presidente da UNITA, a quem aponta uma militância que “nunca foi rectilínea”.

O Segundo passo, foi o facto de Fernando Heitor ter entregue a carta de renúncia ao presidente da UNITA, Isaías Samakuva, informando que não estaria disponível para integrar a lista de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, onde já esteve durante 20 anos.

Em terceiro lugar, em entrevista a uma televisão, deixou em aberto que se for convidado a fazer parte do governo de João Lourenço “vou com todo o orgulho”, sublinhando que era completamente apartidário, “pois o país está em primeiro lugar”. Além disso, asseverou que o programa de governo que o MPLA  apresentou aos eleitores era o melhor, criticando aqueles que se preocupam demasiado com as militâncias. “Temos de encontrar plataformas de convergência. É por isso que quero ser apartidário”, acrescentou. Entendido dessa maneira fica-se com a impressão de que no governo formado pelo MPLA há gente apartidária, embora, na verdade seja uma miragem.

Dai para frente, ora como analista, ora como comentarista, Fernando Heitor, que é também um consultor internacional, foi mergulhando com uma velocidade de cruzeiro na “grande família”, confirmando o sucesso do “aliciamento”.

Outros membros da UNITA que se mudaram para o MPLA, desde 1992, não devem ter se apercebido, com rigor, desses passos para serem acolhidos com toda pompa e alguma circunstância pelo partido da situação.

Há registo de alguns dissidentes que foram acolhidos e conseguiram dar o ar da sua graça. Para além de generais, salientam-se as figuras de Georges Chikoti, Tony da Costa Fernandes, Miguel N’Zau Puna, Paulo Tchipilika e Jorge Valentim. Sobretudo estes, conseguiram lograr alguns benefícios, resultantes da mudança de camisola. 

No acto de tomada de posse como administrador executivo do BPC, depois de manifestar o seu “profundo agradecimento” por ter sido indicado para este cargo pelo Presidente João Lourenço, considerou que o programa existente para a recuperação do BPC “tem tudo para dar certo”, necessitando apenas que “as pessoas colocadas tenham suficiente dedicação, lealdade patriótica e apresentem todo o seu saber para a boa concretização do programa”.

Deixou claro que não tem uma varinha mágica, necessitando apenas o empenho de todos, já que “a equipa é grande, foi bem escolhida, tem pessoas com valências técnicas e profissionais muito fortes e também vou fazer a minha parte, procurarei fazê-lo com tudo o que eu tenho de melhor, vou-me empenhar e espero que os outros também se empenhem”, frisou Fernando Heitor.

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