FNLA “de Kabangu” dispersa votos para a CASA de Abel

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Goradas as tentativas de impugnar, inúmeras vezes, a actual liderança da FNLA, a ala de Ngola Kabangu, que também já foi presidente do partido, com o aproximar das eleições pretende “crucificar” Lucas Ngonda, mobilizando os seus seguidores a não votarem na FNLA e escolherem uma formação política da sua conveniência

Diniz Kapapelo

Uma fonte conhecedora do mettier, próxima ao antigo presidente Ngola Kabangu, disse ao Ngolajornal que não se trata de uma traição aos ideais do partido fundado por Holden Roberto mas uma forma de opor a quem deseja “afundar o partido, aliando-se ao partido no poder”. Interrogado se esta medida poderia colocar em xeque a sobrevivência da FNLA, a nossa fonte disse que não. E diz porquê: “Nas eleições de 2012 o partido só não desapareceu por razões meramente cirúrgicas”.
“Tínhamos orientado os militantes a votarem na FNLA, porque estávamos mais próximos do consenso com o irmão Lucas Ngonda, do que estamos agora”, referiu, acusando o actual presidente de ser incompetente, arrogante e pouco visionário. “Ele colocou os interesses pessoais acima dos interesses partidários”, enfatizou, para depois falar da necessidade de se introduzir um novo pensamento político para ultrapassar este imbróglio que se arrastam desde 2006, pois ao que disse, ultrapassar o conflito era o objectivo inicial, “mas agora, em função dos últimos acontecimentos, nem isso é mais pessoal”.
Segundo ainda a fonte que vimos citando, não foi dada nenhuma orientação expressa para os militantes votarem na CASA-CE, embora de um modo geral falou-se na necessidade de se votar numa formação com políticas claras como a de Abel Chivukuvuku.
A ser verdade, Lucas Ngonda vê a sua “sorte” a escapulir-se entre os dedos, devendo por isso optar por um plano ‘B’, senão mesmo, aplicar todas as fórmulas possíveis para atrair o eleitorado do seu partido – feito manta de retalho -, principalmente o indeciso.
Embora esta decisão surge um pouco tarde, já que havia no horizonte a possibilidade dos ‘irmãos’ resolverem o conflito interno antes das eleições de 23 de Agosto, mas todo esforço feito caiu ‘em saco roto’, numa altura em que Ngonda tem já trilhado algum caminho em direcção ao parlamento e, quiçá, a liderança da FNLA.
Tudo acontece numa altura em que o actual presidente por decisão do Tribunal Constitucional pouco ou nada fez para resolver as clivagens internas, que já dura longa data. Todas as tentativas neste sentido foram infrutíferas.

“Golpe” falhado
Em Março do ano em curso, um grupo de quadros do Comité Central do partido dos ‘irmãos’ suspendeu Lucas Ngonda, da liderança do partido, nomeando interinamente Fernando Pedro Gomes, que justificou tal medida com a necessidade de “salvaguardar os interesses superiores do partido”.
A forma como a FNLA está a ser gerida foi considerada insustentável, uma vez que “o presidente pouco ou nada faz para a unidade interna”, acusaram os militantes e quadros do partido, sublinhando Ngonda de ser a base da discórdia no seu dos ‘irmãos’.
No entanto, o exercício do grupo, que incluía também Ngola Kabangu e o filho do líder fundador da FNLA, não foi bem-sucedido, já que o Tribunal Constitucional considerou improcedente a suspensão do presidente, por estar fora dos limites dos estatutos partidários.
Com as eleições às portas o referido grupo terá apenas que esperar só mais por algum tempo para voltar à carga com outra medida que deverá ser mais conciliatória.
Entretanto, falta saber qual será a reacção de Lucas Ngonda quanto a esta decisão de dispersar votos da FNLA para outras formações políticas, com maior realce para a CASA-CE de Abel Chivukuvuku que, de acordo algumas sondagens, pode lograr, desta vez, o segundo lugar suplantando a UNITA e a própria FNLA que poderá ter um ou três deputados no próximo parlamento.

Ngola Kabangu limpa as mãos
Contactado por este portal de noticias, o antigo presidente da FNLA Ngola Kabangu negou a informação segundo a qual orientou os seus seguidores a votarem noutros partidos e de estar a incitar os seus ‘irmãos’ de não votarem na FNLA.
Segundo disse, caso este partido quisesse estabelecer algum acordo ou aliança com outra força política a decisão caberia a cúpula do partido.
“Não posso decidir nada sem consultar o Bureau Político. O partido não é um negócio de Kabangu”, disse, tendo garantido que a sua direcção é responsável e sabe o que está a fazer: “Quando quisermos fazer um pacto ou acordo com um partido ou coligação, os jornalistas serão os primeiros a saber”, vincou.

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