Mulheres que desafiam as dificuldades

Destaque, Social 0 11

Nas zonas rurais de Luanda e da Funda, em meio a muitas dificuldades como a distância entre as escolas e as comunidades, as chuvas intensas que deixam os caminhos alagados e as ocupações do campo, meninas e adolescentes destas zonas se destacam pela coragem pois persistem e concluem os estudos com notas altas, tornando-se num exemplo de resiliência

Suzana Mendes e Maria da Costa

O relógio marcava 13 horas, ao longe vimos uma adolescente com a sua pasta aproximando-se do portão da escola 4009, na localidade do Mulundo, na Funda. Com um sorriso ela apresenta-se. Trata-se de Juliana, 15 anos. Ela espera o primeiro filho está noiva. Depois de uma jornada de trabalho na lavra familiar que começou as 05 horas da manhã e depois de ter ido vender produtos agrícolas no chamado mercado do sábado.

“Trabalho muito, é cansativo mas nunca desisti da escola”, fez questão de realçar a adolescente que está a concluir a oitava classe com sucesso como confirmou a sua professora. Ela vive com a mãe e com a avó, todas mulheres trabalhadoras que lutam diariamente pelo sustento familiar.

 

A conjugação do trabalho no campo e os estudos é um esforço constante entre as adolescentes na zona da Funda, em Luanda. É assim também a dinâmica da vida de Ana Maria, 13 anos, residente que frequenta uma escola no bairro Fortui. A sua jornada começa de manha cedo altura em que começa a ajudar a mãe nas tarefas domésticas, depois segue para a lavra. O período da tarde é reservado para a escola onde frequenta a oitava classe. “É cansativo mas nunca desisti da escola”, diz com orgulho das suas conquistas.

Para além do trabalho no campo as adolescentes da comunidade caminham diariamente por uma hora para chegar a escola, o que e mais difícil na época chuvosa em que a terra fica lamacenta. Preocupada com esta situação, Conceição Pacheco, professora de outro bairro, o Camucuto 2, realçou que estas meninas precisam de mais apoio. “A população aqui vive da agricultura e da pesca, são famílias pobres que vivem com 100 Kwanzas por dia”, explicou, acrescentando que na escola onde leciona tem distribuído merenda escolar para garantir que os estudantes possam ter um lanche diário.

Apesar das dificuldades, a professora Conceição realçou que “é impressionante” que as raparigas com tantas ocupações tenham um bom aproveitamento escolar. “No geral os alunos são muito dedicados, estou satisfeita”, destacou.

  Professora Conceição

Para ajudar as alunas que muitas vezes chegam atrasadas devido as tarefas nas lavras e as grandes distâncias a percorrer, os professores desenvolvem projectos específicos para apoiar os alunos para as meninas que perdem as aulas para que possam recuperar e transitar de ano.

 

O professor Agostinho Pereira Francisco explicou que a maior parte dos alunos são meninas e que a maior parte está engajada nos trabalhos do campo o que cria uma sobrecarga nas estudantes. “A maior parte das estudantes daqui vêm do Mulundu e do Bairro Novo, as estudantes vêm a pé, é preciso apoiar mais os estudantes”, realçou.

 Apesar das dificuldades, a professora Conceição realçou que “é impressionante” que as raparigas com tantas ocupações tenham um bom aproveitamento escolar. “No geral os alunos são muito dedicados, estou satisfeita”, destacou.

 

Resiliência no Bengo

Marta Francisco, 18 anos, residente no Kikabo, no Bengo, dedica-se ao cultivo e aos estudos. Diariamente ela percorreu longas distâncias para ir a escola e sempre com dedicação. “Tenho que me empenhar porque quero ser professora”, contou-nos. Ela estudou na sede do município e diariamente andava por duas horas para poder assistir aulas.

Terminou com sucesso o ensino básico e agora aguarda uma oportunidade para prosseguir os estudos na sede da província onde quer concluir o ensino médio. “Não posso parar por aqui, tenho sonhos e quero ter um futuro diferente do que a minha mãe teve, quero concluir a formação”, frisou.

Frequentar a escola nas zonas rurais continua a ser um grande desafio, especialmente para as meninas que têm muitas responsabilidades familiares. Dados divulgados pelo Ministério da Família e Promoção da Mulher, através do Caderno de Estatísticas de Género de Angola, revelam que a população de pessoas que dos 15 aos 24 anos que não sabe ler e de 33% de mulheres e 16% de homens.

 

 

 

 

 

 

Hits: 24

Deixe o seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

ArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchPortugueseSpanish