Para evitar que o pior aconteça! “Berro de desespero”…

Cultura, Destaque Off 18

Ainda embalados na frenética empreitada eleitoral que registamos no País; então, até 22 do mês transacto, estivemos diante de factos que podiam ter servido ou servirão para determinar a miniatura ou a grandeza do conjunto da promessa feita para convencer o eleitor angolano e, por tabela, vencer a montanhosa sequência de obstáculos que interfere na plena consolidação da sociedade angolana que aguarda pelo estabelecimento da Boa Governação

Por: Noa Wete – Kulwmbimby

Movido pela teimosia da esperança, cada cidadão angolano sente-se no direito de continuar a “sonhar com a certeza”… o “futuro seguro” está ao alcance como dias melhores se aproximam para que, juntos e em harmonia, possamos viver a mesma alegria tal como (em 1974, antes da Proclamação da Independência) admitíamos: oportunidades, sem excepções, à bem de todos – angolanos.
Decorridas mais de quatro décadas, depois de mais um confronto de ideias – perspectivas e projectos eleitoralistas; sentimos a mesma ânsia pelo melhor contorno possível para que possamos justificar a concretização da imprescindível alteração do “doentio estado” que (em distintos domínios da nossa vida económica – social e cultural) afecta o País.
Lembremo-nos que, em 2012, na torrente das emoções partidárias; dentre outros, na dianteira esteve em causa o ambicioso anunciado: “produzir mais para distribuir melhor”… pena foi termos que sentir a ausência de dados palpáveis ou substâncias para que o eleitorado tivesse a hipótese de apurar; afinal, para o cidadão angolano, o que terá melhorado?
Actualmente, além das demais, no topo das penetrantes promessas eleitorais, destaca-se o interesse partidário de: “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”… provavelmente, em 2022, tenhamos a possibilidade de certificar: na realidade o que estava mal foi corrigido?

Conveniências que atrofiam

No enquadramento das apreciações que assumimos a responsabilidade de desenvolver, por razões íntimas, dedicaremos especial atenção a problemática cultural porquanto, sempre, acreditamos que Angola está confrontada com a gravidade do mal resultante da excessiva falta de Identidade Cultural direcionada para a rota do Desenvolvimento sustentado pela almejada afirmação das aspirações do ser angolano que se deve inserir muito mais no “complexo tabuleiro” da globalização onde a nossa merecida bancada (quantas vezes?…) permanece vazia ou desocupada por injustificada indiferença e, até, por “grosseiras conveniências” que atrofiam a possibilidade de demonstração das nossas credenciais enquanto agentes com criatividade – dote e talento úteis para a diversificação e o enriquecimento da cultura universal.
Á propósito, nos bastidores das nossas arenas artísticas, tornou-se vulgar repetir-se que o artista angolano não deve nada a outro de onde quer que seja ou venha porque competência – vocação e originalidade ao artista – angolano sobra e em demasia!
Então, face aos (des)níveis de propósitos nunca materializados… nos tempos que correm, desde que a lógica permita, fazemos uso do comparativo para questionar: por aí, além-fronteira, uns rendem e outros até se enriquecem mercê ao envolvimento no labor cultural; na mesma vertente, em Angola, quais os argumentos utilizáveis para a exigida explicação – como justificaremos?

Vontades num saco roto!…
Não nos cabe a obrigação de apresentar respostas menos de responder por quantos “pretendiam aparecer” ou “arrebataram protagonismo” no recém-terminado confronto eleitoral.
Para o refresco da memória colectiva, pela via da reflexão, também, faremos passeatas por “esquemas montados ou planos estruturados” para argumentar com filosofia e objectividade ou, no extremo oposto, balbuciar vontades que só podiam caber num saco roto!…
Nada de mal, aliás, recordar é viver; para aumentar o espanto do mais pacato, a campanha eleitoral permitiu a repetição de “falsas promessas” que, até – por isso, já foram severamente penalizadas…
Por saber o que merece, o ser angolano jamais aceitará ser enganado!
No decurso da finalizada campanha eleitoral, para esgrimir argumentos e alimentar esperanças aos demais compatriotas; com apurado sentido de gestão do bem comum, optando por diferentes rotas, os (poucos) políticos de carreira foram ao encontro de determinadas franjas da sociedade angolana e avançaram perspectivas pela Dignificação da Vida do Angolano.
Tal lance operativo, também, registou-se junto de “certa parte” da classe artística afecta a UNAC que está fustigada pela fúria de milhentas reclamações… abandonada no desespero do sufoco, a UNAC aspira para sobreviver!
Como “berro de desespero”, determinado associado já vociferou: artista -“socorrista com competência” precisa-se, para evitar que o pior aconteça!
Entre nós, a dANÇA continuará estagnada – a música permanecerá impávida face a malvadez da mediocridade e da repugnante letra abusiva – o teatro será a mesma vítima do irrisório ou será revitalizado?
As respostas serão de artistas comprometidos com uma de tais missões.
Doravante, por etapas, experimentaremos a entrada nos meandros do “doentio estado” do actual universo das artes do espectáculo, em Angola.

 

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