Pobreza extrema e alto índice de mortalidade em Cafunfo

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O elevado índice de mortalidade infantil na província da Lunda Norte, especificamente na localidade diamantífera de Cafunfo, foi resumido pela população em poucas palavras, pela população local: “Aqui, morre-se como cães”. Uma delegação de deputados da UNITA que se deslocou à região concluiu que à população de Cafunfo lhe foram negados direitos fundamentais

Diniz Kapapelo

Falando em conferência de imprensa, os deputados, Joaquim Nafoia e Clarice Mukinda, esta que é também presidente da 8ª Comissão da Assembleia Nacional, que responde pelos assuntos relacionados à família, infância e assistência social, descreveram um quadro sombrio que carece de uma intervenção imediata.
“A situação em que se encontra a população de Cafunfo é um crime, sobretudo quando os responsáveis que deveriam ajudar essas pessoas ocultam a verdade, caracterizando a acção de visita dos deputados como aproveitamento político”, referiu Clarice Mukinda, para quem à população de Cafunfo foram negados os direitos fundamentais dos cidadãos.
A deputada vai mais longe ao afirmar que o Ministério Público devia responsabilizar todos aqueles que fizeram com que a situação chegasse à fase de elevado índice de mortalidade infantil.
Já o deputado Joaquim Nafoia, que chefiou a delegação, questionou o tipo de governo que Angola tem, “se é aquele que resolve os problemas do povo, ou se se trata de um grupo que tem apenas como objectivo delapidar as riquezas”.

As constatações
O que preocupou, em primeiro lugar, os deputados, são as denúncias sobre uma epidemia que desde 01 de Setembro vem vitimando crianças de idade compreendida entre os zero e os 18 anos, bem como outros aspectos sociais ligados aos sectores da educação, habitação, estradas, para além de um contacto com as populações para saber dos seus problemas.
O facto de Cafunfo (a única localidade do país, com a designação de sector) pertencer ao município do Cuango fez com que os deputados contactassem as autoridades administrativas locais de quem receberam explicações da situação reinante na região.
“Disseram-nos que não existe nenhuma doença estranha em Cafunfo; mas que tinham morrido algumas crianças de malária”, contaram, acrescentando que a administração do Cuango desaconselhou os deputados a visitar a região de Cabunzula por razões de segurança; não poderiam garantir-lhes segurança porque a autorização tinha que ser solicitada a Luanda.
As autoridade terão dito aos parlamentares que muitas situações político-administrativas são geridas a partir de Luanda; tal é o caso do comércio de diamantes; “como podem constatar existem muitas casas de compra e venda de diamantes. Nós não sabemos se são legais ou não, se pagam mesmo impostos ou não”.
No entanto, quando visitaram o hospital, o deputado Nafoia conta que a realidade era bem diferente: Na área da pediatria, a varanda estava apinhada de senhoras com bebés ao colo, sentadas no chão. Estavam internadas várias crianças, 40 das quais em estado muito grave. Como se não bastasse, acrescenta, os balões de soro, vazios, estavam suspensos nos suportes perto das camas; nenhuma criança tinha soro aplicado; enquanto no banco de urgência estão outras crianças em estado grave e sem assistência.
“Apesar de existirem crianças em estado crítico, dois médicos coreanos encontravam-se, comodamente sentados, num banco do pátio a fumar cigarro, e diziam que não tinha nada a fazer, alegando falta de medicamentos”, descreveu Joaquim Nafoia, que refere ainda que só no dia da visita, o hospital tinha registado nove óbitos.
Num documento intitulado síntese da Visita dos Deputados à Província da Lunda Norte, diz-se que o chefe de repartição municipal do Cuango e médico do Hospital Regional do Cuango é uma pessoa “fria e indiferente à situação geral e das mortes assustadoras de crianças”.
Ele também disse aos deputados que não havia nenhuma epidemia estranha; em 3 meses haviam registado apenas 8 óbitos, que morrer num hospital era normal e que os deputados deviam compreender, porque o país está em crise, pelo que não se devia exigir tudo do governo.
Depois de terminada a visita, concluíram que era necessária uma requalificação para a vila de Cafunfo; uma alocação de meios à administração municipal do Cuango para a recolha do lixo e saneamento básico. Outra medida sugerida é o combate e estancamento de ravinas; combinado com o reflorestamento do imenso território explorado e abandonado; e o estancamento de desvios e devastação de rios, sobretudo do rio que dá nome ao município, Cuango.

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