“Revus” vão à manifestação de amanhã?

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Depois de julgados e condenados pelo crime de rebelião e associação de malfeitores e mandados para casa após a amnistia, os 17 activistas que sempre estiveram na linha da frente de iniciativas de protestos encontram- se divididos quanto a participação na manifestação de 3 de Junho, convocada pela União Nacional para Independência Total de Angola – UNITA

Por: Fernando Guelengue

Numa conversa com a maioria deles, o Ngola Jornal soube que uns defendem a participação de toda a sociedade no geral pelas razões soberanas avançadas pela maior força política na oposição, outros que já não confiam na acção coerente e  consequente da organização que dirige o protesto, alegando mesmo que só se juntam se a manifestação for contínua até a CNE se render. José Gomes Hata apoia e parabeniza a organização da manifestação mas não se fará presente por questões religiosas. “Eu apoio e parabenizo a UNITA pela iniciativa, infelizmente estou a fazer o Ramadan (jejum islâmico), mas darei todo meu apoio material, moral e espiritual se for possível. É isso que a sociedade tem cobrado aos partidos na oposição e em particular à UNITA”, frisou Hata, acrescentando que resta esperar que o “galo negro” seja coerente no que disse e que persista essas manifestações até que a CNE faça retificações que se exigem, de outra forma não faz nenhum sentido avançar para as eleições.

Quem também apoia a iniciativa é Rosa Conde mas garante não estar em condições de se fazer presente. “Qualquer acção positiva à causa, exigindo justica, é sempre bem-vinda. Eu apoio apesar de estar em estado de gestação e impossibilitada de participar fisicamente”, fez saber. Por sua vez, Manuel Nito Alves foi muito prático ao garantir que não tem qualquer pronunciamento em relação ao protesto, reservando-se ao silêncio.  O activista que aguarda uma posição da organização é o Arante Kivuku, que afirmou não ter certeza se vai ou não. “Apenas participarei se a UNITA responder a minha perguntas pública. Se a CNE não recuar, qual será o  posicionamento da UNITA? Vai as eleições mesmo sabendo que as empresas não inspiram confiança”, questiona.

Domingos da Cruz adiante não ter nada a dizer sobre a manifestação.  Já o docente universitário e investigador científico Nuno Álvaro Dala, que se notabilizou por ser o maior grevista da história em Angola ao completar 37 dias de greve de fome, a descrença na UNITA e na sua incapacidade de ser coerente e consequente é um grande problema. “Eu mesmo não estarei, não só por não acreditar na coerência e consequência da UNITA mas porque também, no dia 3 estarei a celebrar o aniversário da minha filha, cuja festa teria sido a 27 de Maio (data dela de nascimento)”, rematou.

Diferente da posição de Dala, Benedito Jeremias Dalí defende que não se deve olhar para quem convocou as manifestações mas para a sua pertinência e natureza que se enquadra no interesses nacional. “Penso que a iniciativa deve ser acolhida e aplaudida pela sociedade civil em geral. A sociedade angolana estava a espera deste chamamento de uma organização como a UNITA. Mas UNITA tem os seus defeitos, quebrou a confiança do povo, mas pode começar a retratar-se e reconstruir a confiança”, alertou acrescentando que neste momento se deve deixar de olhar pelas imperfeições da oposição e abraçar o que é de positivo.

De acordo com Luaty Beirão, que se encontra na cidade da Ilha da Madeira, Portugal, a convite de uma organização para o lançamento do seu livro “Sou Eu Mais Livre Então”, a desilusão que passou em 2012 por meio da a UNITA leva a pensar duas vezes. “Acho muito importante que finalmente tomem essa decisão, mas já me desiludi em 2012 quando prometeram manifestação e prepararam comício”, declarou, alertando que o factor que o convenceria seria se conseguissem juntar pelo menos os dois maiores e irem juntos.

Luaty disse ainda que só na sexta-feira a noite decidiria se iria ou não, mas considera de suma importância este passo que demorou demais.

 

Leia também a posição de outros activistas

Inocêncio de Brito

“Nós elaboração um memorando, sugerindo que os partidos se coligassem, para pressionarmos o regime a não cometer as mesmas irregularidades do passado em seu benefício. A UNITA não se dignou sequer a responder a nossa solicitação, não nos deu ouvido, como cidadãos interessados numa concertação social para a mudança do actual regime. Daí que não me sinto motivado a participar nesta manifestação convocada por eles, embora reconheça a importância da mesma. Mas também acredito que nenhum partido, nenhum angolano deve se arrogar mudar sozinho o estado actual das coisas que o país vive. Todos somos poucos para construir uma nova Angola. E deve ser juntos, não uns atrás dos outros.

Osvaldo Caholo

“Sempre me revejo em manifestação mas ainda não tenho uma decisão formal por causa das questões de conotações partidárias a que estamos viciados”.

Fernando Tomás Nicolas

“Estou dentro da manifestação porque pelo que entendi do líder da formação que está a organizar, o protesto é aberto ao público em geral, sociedade civil e indivualidades. Eu como activista que acompanhou os vícios do processo eleitoral devo estar presente. Eu estarei presente” Laurinda Gouveia “Não irei porque terei uma outra actividade. Mas também é bom dizer que há muitas dúvidas porque a UNITA sempre que levanta uma posição sobre qualquer ilegalidade acaba por recuar e alia-se novamente como se a situação estivesse resolvida. Queremos ver como as coisas vão ficar, mas a ideia de convocar o povo é louvável”

Hitler Samussuku

“Eu irei aderir porque acho ser uma causa legítima. A transparência do processo eleitoral é um assunto de interesse de todos e sempre demonstrei o meu posicionamento quanto a questão do voto, isto passa necessariamente por exigir uma lisura no processo pré-eleitora”.

Nelson Dibango

“Não estou bem por dentro desta actividade, ainda não sei se vou ou não, mas se haver motivação eu avançarei”. De referir que tentamos ouvir Mbanza Hamza, Sedrick de Carvalho e Bingo Bingo mas sem sucesso.

De referir que tentamos ouvir Mbanza Hamza, Sedrick de Carvalho e Bingo Bingo mas sem sucesso.

 

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